setembro 07, 2005

São Francisco de Paula.















Os dois homens estão sentados
frente a frente. Chimarrão, mate,
fumo de cigarro, cavalos rente
a uma cerca de madeira. Um fogo
a meio da madrugada. Um deles
dedilha o violão, o outro recita,
as mãos nos joelhos.

Os dois gaúchos olham a erva rasa,
o risco de luz entre as araucárias.
Há um silvo absurdo no interior
do bosque. Uma guabiroba abateu
depois das chuvas, entre raízes
de caúnas e rastos de animais.

Quando vem o minuano? Preparado
para o vento, um deles ergue-se,
chamado pela escuridão do céu,
responde por todos os nomes da serra,
iluminado pelas brasas do chão.
O outro olha mais além, procurando
os sinais da tempestade.

3 comentários:

Ana Maria disse...

Nossa, a imagem e o texto são lindos! Quase escutei o sotaque gaúcho. :-)

Milton disse...

Estás pelas redondezas? Sou de Porto Alegre e conheço muito bem toda esta paisagem, meu amigo. Grande abraço.

Silvia Chueire disse...

Feito a Ana Maria ali posso quase ouvir o sotaque daquelas paragens.
Bah, tchê | Mas que coisa boa !

Silvia Chueire