julho 30, 2005

Novo Rubem Fonseca. Morram de inveja!



















O novo romance de Rubem Fonseca leva o título A Bíblia e a Bengala (Companhia das Letras) e vai entrar em distribuição em breve. Assunto do novo livro: o roubo de um dos raros exemplares da Bíblia de Mogúncia, de Gutenberg, e o desaparecimento de uma assassina bengala Swaine. Para amantes de Rubem, no entanto, há um pormenor essencial a ter em conta: o personagem principal é o investigador e advogado criminalista Mandrake, o mesmo de A Grande Arte, a obra-prima de Rubem, prémio Camões de 2003.

Extractos do livro:

«Você me disse que não se envolvia com mulheres casadas e você e ela estavam fodendo, o marido deve ter descoberto e você matou o infeliz, você é um assassino, um mentiroso, um canalha que se finge de bonzinho, pensa que eu não sei por que fodia comigo? Para fazer uma boa ação, para se redimir dos seus pecados, eu, o doutor Mandrake, sou bonzinho, estou fodendo a aleijadinha, eu vou para o céu. Você vai é para o inferno, seu filho-da-puta. Helena arrancou os sapatos e andou pela sala, mancando. Está vendo a aleijadinha que tem uma perna mais curta que a outra, que você, para conseguir foder, tomava Viagra escondido ou outra merda dessas, olha para mim, seu pulha, olha para a aleijadinha.»


«Meu pai passava o dia e a noite acordado, quando ia para a cama ficava lendo e eu lhe pedia que parasse de ler, apaga a luz de
cabeceira e vamos dormir, eu dizia, e ele respondia que não queria dormir e quando não estava lendo ficava de olhos abertos olhando para o teto ou para a janela. Fecha os olhos, eu pedia. Não fecho, não posso fechar os olhos, se fechar os olhos eu morro. A luz da cabeceira permanecia acesa, eu acordava no meio da noite, do meu sono agitado, e lá estava ele, de olhos abertos, olhando para o teto. Um dia notei que ele estava de olhos fechados e pensei, aliviado, afinal ele dormiu, e apaguei a luz da cabeceira. Quando acordei, pela manhã, ele estava morto.»


A Grande Arte, de Rubem Fonseca, foi publicado pela Companhia das Letras no Brasil; há uma edição portuguesa publicada em 1987 pelas Edições 70.

1 comentário:

alias disse...

Faz sempre falta um novo Rubem Fonseca. Mas devo dizer que lhe prefiro os contos. Parabéns pelo blogue