outubro 12, 2004

Dalton Trevisan, o vampiro de Curitiba

Aproveitando o feriadão brasileiro, recomendamos Dalton Trevisan. Em breve, mais textos deste autor. Por agora fica este, para abrir o apetite.
«– Depois te beijava da ponta do cabelo até a unha encarnada do pé. Cada pedacinho escondido de teu corpo. Afastava essa coxa branquinha de arroz lavado em sete águas. E me perdia no teu abismo de grandes lábios rosa.
Agora a mãozinha quente e molhada.
– Sou homem de certa idade. Com a minha vivência faria você sentir prazer até no terceiro dedinho do pé esquerdo. De tanto gozo sairia flutuando pela janela sobre os telhados da Praça Tiradentes. […] Quer experimentar hoje?
– Próxima vez eu resolvo.
– Por que não agora? Já está aqui. Tão fácil. Até chovendo. Mais aconchegante.
– Hoje não.
– Você é que sabe. Só não creio na tua frieza. Tudo me diz que é moça fogosa. Essa boca vermelha e carnuda. É de quem gosta. Mais uma coisa, anjo, enquanto eu falava, o teu narizinho abria e fechava…»
Dalton Trevisan, Continhos Galantes
[edição L&PM]

3 comentários:

cafajeste disse...

Muito bom.

Noto que na vossa coluna de escritores não tem link para o genial Millôr Fernandes.

Cumprimentos,

cafajeste disse...

http://www.releituras.com/millor_menu.asp

Marcela disse...

Um site de portugueses sobre a minha literatura? Muito interessante! Dalton Trevisan é muito bom, acabei de descobrí-lo.
parabéns pelo bom gosto!