dezembro 18, 2004

Posta Restante

Escreve o Luís R. Gomes por e-mail: «Porque raio fica tão fascinado com a literatura brasileira? E com os blogs brasileiros? Sigo o Aviz e vejo que cada vez há mais links de blogs do Brasil.» Resposta: não está à vista?

dezembro 16, 2004

Adriana Lisboa



Adriana Lisboa é um dos nomes a reter da nova literatura brasileira. A Rocco acaba de lançar Caligrafias.
"Minha vida é o milagre banal da eternidade feita de presente, passado e futuro simultâneos – substâncias do mesmo sonho. Meus dias são todos de uma vez só. E eu me respondo com interrogações. Existo, até que deixe de existir. A maior transcendência é ter uma pele permeável e ser o que está do lado de dentro e ser o que está do lado de fora também."
Adriana Lisboa nasceu em 1970, no Rio de Janeiro, e cresceu entre a cidade e a fazenda de sua família no interior do estado. Viveu em França, estudou música e trabalhou como cantora, flautista e professora. Publicou os romances Sinfonia em Branco e Os Fios da Memória, ambos na Rocco.

João Antônio!


Para quem não conhece Malagueta, Perus e Bacanaço: estão aí os contos urbanos, paulistas, paulistanos e publicados por João Antônio. É um elogio da malandragem. Os originais de Malagueta, Perus e Bacanaço foram destruídos no incêndio da sua casa, em 1960. O livro só seria publicado depois, em 1963, totalmente reescrito. Agora sai em edição Cosac Naify, bonita como sempre são as desta casa, com um extratexto com fotos e uma biografia deste livro.

Outras obras de João Antônio: Calvário e Porres do Pingente Afonso Henriques de lima Barreto, Lambões de Caçarola, Ô, Copacabana, Abraçado ao meu Rancor. João Antônio Ferreira Filho (1937-1996), nasceu de uma família de imigrantes portugueses de poucos recursos, em São Paulo. Foi jornalista. Escritor de coisas da rua. Amante das cidades.

Rubem


Correr para as livrarias: está aí o voluminho (600 páginas) dos Contos de Rubem Fonseca -- são 64 deles, escolhidos pelo próprio Rubem, o melhor contista da língua portuguesa. Edição Companhia das Letras. Para os leitores portugueses, de Portugal, o melhor processo é uma ida ao Centro do Livro Brasileiro, ao Calhariz (Lisboa), ou um pedido aos distribuidores mais rápidos da net brasileira (fala a experiência), a Saraiva ou o Submarino.


Aí está A Tapas e Pontapés, de Diogo Mainardi -- o melhor das crónicas da Veja. E aqui está o link para uma das entrevistas de Mainardi no tour de lançamento do livro. A edição é da Record.

Pornografia histórica


E, para começar, nada melhor do que chamar a atenção para uma das novidades natalícias (quase tremo) da Companhia das Letras: Páginas de Sensação. Literatura popular e pornográfica no Rio de Janeiro (1870-1924). Aqui vai, também, um extracto da introdução, de Alessandra El Far:
Nas últimas duas décadas do século XIX, inúmeros livros foram publicados com a finalidade de atingir uma parcela ainda pouco explorada pelo mercado editorial: "o povo". Com o tempo, as belas encadernações vindas da Europa e os textos assinados por intelectuais de rara erudição, tão apreciados pelas elites ilustradas brasileiras, foram cedendo espaço, nas prateleiras das livrarias, às brochuras baratas, que carregavam consigo tramas mirabolantes, narrativas audaciosas, de tirar o fôlego. "Nós, editores", dizia o literato Adolfo Caminha, reproduzindo a frase que todo escritor de talento escutava ao tentar publicar sua obra, "preferimos ao estilo, à arte um bom enredo, uma história de sangue cheia de mistérios, comovente, arrebatadora! É disso que o povo gosta, e nós, a respeito de gosto literário, só conhecemos o povo."


Cá vamos

Ah, mil perdões. O Gávea voltou depois de quase um mês de absentismo, degradação moral e más leituras. Sobretudo portuguesas, vale a pena dizer. Cá vamos.

dezembro 06, 2004

INTERRUPÇÃO

Por motivos absolutamente marginais, o Gávea interrompeu as suas actividades durante algumas semanas. Retomará a maratona habitual na próxima quarta-feira. Sem falta.

Para os amigos e leitores que têm visitado o blog em vão, agradecimentos sinceros.

novembro 19, 2004

Sérgio Sant'anna voa na Antena Um

Para os leitores portugueses, em Portugal: o programa Escrita em Dia, da Antena Um, encerra neste domingo a série de 10 emissões dedicadas a entrevistas com escritores brasileiros; o derradeiro convidado é Sérgio Sant'Anna, o autor de O Voo da Madrugada (edição brasileira na Companhia das Letras, edição portuguesa na Cotovia).
A emissão começa à meia-noite de domingo para segunda-feira, na Antena Um, sendo depois repetida na RDP-África (às 23:59 de segunda-feira) e na RDP-Internacional (21:05 de quarta-feira) -- são horas de Lisboa.

novembro 17, 2004

Cinema puro


A Companhia das Letras lança uma recolha das melhores críticas ou crónicas de cinema de Moniz Vianna, geralmente publicadas no Correio da Manhã. A organização é de Ruy Castro.

Contos de Rubem Fonseca

Está praticamente nas livrarias brasileiras uma antologia de contos de Rubem Fonseca: cerca de 800 páginas seleccionadas pelo próprio escritor de entre os seus contos. São 64 no total.

Encontros de Interrogação

De São Paulo, o bom Ilídio Soares chama a atenção para a realização dos «Encontros de Interrogação», o nome do «evento literário» que será realizado no Itaú Cultural, em São Paulo, nos dias 22 e 23 de novembro. Cerca de cem poetas, prosadores, críticos e jornalistas estarão presentes, participando dos debates em mesas temáticas. Escreve o Ilídio: «Sabe quem virá para esse encontro? Veja só: Claudia Roquette-Pinto,Wilson Bueno, Horácio Costa, Carlos Ávila, Ignácio de Loyola Brandão, Ricardo Aleixo, Sebastião Nunes, Glauco Mattoso, Rodrigo Garcia Lopes, Ademir Assunção... para citar poucos nomes... enfim, só a fina fauna e flora da nossa literatura atual ... o Itaú Cultural distribuirá uma revista dedicada especialmente ao encontro, e produzirá um livro e um DVD com depoimentos de todos os autores participantes.»

novembro 11, 2004

Poesia de Ana Miranda

O novo livro de Ana Miranda (a autora de Boca do Inferno, Companhia das Letras; edição portuguesa na Dom Quixote), que não publicava poesia há 21 anos, é Prece a uma Aldeia Perdida e sai por estes dias.

Adenda: Já está publicado, edição da Record.

Karim Blair, aliás.

«Uma guitarra, uma flor ao soldado desconhecido de My Lai, as escuras e irreversíveis saudades, um garoto que, como eu, amava Emerson, Lake & Palmer. Os rasantes dos helicópteros surgindo detrás das montanhas, as taturanas, as tatuagens, os canhoneiros, o tênis saltando poças de água e desdém, a linha fina da chuva morna e pegajosa, cigarrilhas adocicadas, lojas de ervas, um disco italiano de 78 rpm: Catari. As gardênias, os vidros, os vidrilhos, a lentidão das trilhas, os nossos almoços, as nossas bússolas, um saquinho de madrepérolas, outro de fotos de Xangai & adjacências, as convalescenças, os cortes das pernas que iam se fechando aos poucos, as pomadas, os ungüentos, as cartas indecifráveis, as moscas estagnadas, as legendas, as semelhanças, os rumos, a hidrografia nostálgica de uma tarde avermelhada.»
Karim Blair
(aliás, Mécia), O Caderno Lilás .

Será bom, haver discriminação positiva?

Livros devem ficar mais baratos com isenção fiscal. «Os livros brasileiros entraram na lista dos produtos que vão ficar livres de impostos e contribuições. O governo federal e o Congresso Nacional estão preparando uma série de medidas com o objetivo de reduzir preços e aumentar as vendas de livros no país.» [Via Folha de São Paulo]

novembro 10, 2004

Prémio Portugal Telecom/Brasil


São 100 mil reais (cerca de 35 mil euros) que vão parar às mãos de Paulo Henriques de Britto, o autor de Macau, um livro de poemas, que recebeu o prémio Portugal Telecom Brasil.
Paulo Henriques Britto nasceu no Rio de Janeiro, em 1951. Professor universitário e tradutor, é autor de Liturgia da Matéria, Mínima Lírica e Trovar Claro. O livro Macau é publicado pela Companhia das Letras. Entre as suas traduções estão livros de Don Delillo, Salman Rushdie, Philip Roth ou Paul Auster e Elisabeth Bishop.
Na lista de candidatos ficaram, em segundo, O Vôo da Madrugada, de Sérgio Sant´Anna (Companhia das Letras; publicado em Portugal pela Cotovia). Na terceira posição, ficou A Margem Imóvel do Rio, de Luiz Antonio de Assis Brasil (edição LP&M Editores). Ver notícia aqui.

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BIODIVERSIDADE

Há maneiras mais fáceis de se expor ao ridículo,
que não requerem prática, oficina, suor.
Maneiras mais simpáticas de pagar mico
e dizer olha eu aqui, sou único, me amem por favor.

Porém há quem se preste a esse papel esdrúxulo,
como há quem não se vexe de ler e decifrar
essas palavras bestas estrebuchando inúteis,
cágados com as quatro patas viradas pro ar.

Então essa fala esquisita, aparentemente anárquica,
de repente é mais que isso, é uma voz, talvez,
do outro lado da linha formigando de estática,
dizendo algo mais que testando, testando, um dois três,

câmbio? Quem sabe esses cascos invertidos,
incapazes de reassumir a posição natural,
não são na verdade uma outra forma de vida,
tipo um ramo alternativo do reino animal?
Paulo Henriques de Britto, Macau. Companhia das Letras.

novembro 09, 2004

Garcia-Roza na LER

Entrevista de A.L. Garcia-Roza, por Francisco José Viegas; texto integral. (Publicada originalmente na revista Ler, de Portugal -- agradecimentos à sua directora, Mafalda Lopes da Costa.) Há também uma espécie de dicionário dos livros de Garcia-Roza, ou seja, do delegado Espinosa.

Ruy Duarte de Carvalho no Rio

Para os amigos brasileiros do Gávea -- especialmente do Rio: está aí o espectáculo de teatro do actor e encenador português Manuel Wiborg, Vou Lá Visitar Pastores, baseado na obra homónima de Ruy Duarte de Carvalho - Vou lá visitar pastores. Exploração Epistolar de um
Percurso Angolano em Território Kuvale
. Hoje, 9 de Novembro, no Rio de Janeiro, no Teatro do Planetário. Depois em São Paulo em data e local a confirmar.

Existe uma edição brasileira de
Vou Lá Visitar Pastores, na Gryphus.
Ruy Duarte de Carvalho é cidadão angolano. Poeta, ensaísta, ficcionista, é autor de vasta obra literária. Antropólogo doutorado pela Sorbonne/Paris e professor de Antropologia (Universidades de Luanda e Coimbra) é também cineasta com inúmeras horas de cinema etnográfico. Edita em Portugal na Cotovia.


novembro 04, 2004

Escrita em Dia

Para os leitores portugueses, em Portugal: o autor entrevistado este domingo passado no programa Escrita em Dia, da Antena Um, foi Alfredo Luiz Garcia Roza, o autor de Uma Janela em Copacabana, O Silêncio da Chuva, Achados e Perdidos ou O Perseguido.
No próximo domingo será Heloísa Seixas. Recordo que a emissão vai para o ar à meia-noite de domingo para segunda-feira, na Antena Um, sendo depois repetida na RDP-África (às 23:59 de segunda-feira) e na RDP-Internacional (21:05 de quarta-feira) -- são horas de Lisboa.

Heloísa Seixas, carioca, foi jornalista e funcionária da ONU. Actualmente é escritora, publicou sete livros desde a revelação extraordinária de
O Pente de Vénus, Histórias do Amor Assombrado”, publicado em 1995. Semanalmente, assina a secção «Contos Mínimos», na revista de domingo do Jornal do Brasil. O seu mais recente romance é Pérolas Absolutas (Record), que também esteve na lista dos candidatos ao Jabuti.

Links, mais sebos

O Cisco recomenda o Traça e o Beco dos Livros, dois sebos de Porto Alegre. Em breve terão uma visita.
Na lista de blogs, ao fundo e à direita, acrescentámos mais uns links enviados pelos leitores do Gávea.