abril 14, 2007

Estudos literários. Sterne, o grande mestre.











Aí está Riso e Melancolia. A Forma Shandiana em Sterne, Diderot, Xavier de Maistre, Almeida Garret e Machado de Assis (edição da Companhia das Letras):
«Nas primeiras linhas de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, o narrador avisa que adotou uma forma semelhante à de Sterne e Xavier de Maistre e que escreveu seu livro com a pena da galhofa e a tinta da melancolia. Diz ainda que em vez de começar a história a partir do início, preferiu contar primeiro o fim. No prólogo da terceira edição da obra, Machado adiciona o nome de Almeida Garrett aos dos inspiradores daquela forma "difusa e livre" - todos eles viajantes, observa. Para Rouanet, os elementos enumerados por Machado bastam para definir uma forma, que denominou "forma shandiana" - termo derivado do Tristram Shandy, de Sterne -, e cujas características estruturais são: hipertrofia da subjetividade; digressividade e fragmentação; tratamento especial dado ao tempo e ao espaço; e interpenetração de riso e melancolia. Os adeptos dessa forma, continua Rouanet, formam uma linhagem - e acrescenta um autor à lista elaborada por Machado: Diderot. Em Riso e melancolia, Rouanet estuda o funcionamento da forma shandiana em todos os autores que a cultivaram, abrindo o caminho para um melhor conhecimento tanto do nosso maior romancista como da linhagem intelectual a que ele se filiou. Com sua linguagem clara e atraente, seu humor e sua erudição, oferece novas percepções aos leitores e abre outras portas para a leitura dos herdeiros de Laurence Sterne.»

Tirania do corpo.











Eu tinha avisado: há uma tirania do corpo. Juliana de Vilhena Novaes acaba de publicar O Intolerável Peso da Feiúra. Depois de anos e anos consagrados a estabelecer um padrão absoluto de beleza, eis que o sofrimento acaba em tragédia. O livro é o essencial da tese de Juliana, defendida na PUC do Rio de Janeiro. A edição é da Garamond.
Escreve, no prefácio, Ricardo Ribeiralves de Castro, professor da UERJ: «A perfeição idealizada encontra na realidade sempre alguma imperfeição que, segundo a autora, obrigarão o sujeito à submissão de uma bateria de esforços absolutamente insanos e cruéis, em busca de um modelo inalcançável.» Durante dez anos, Juliana recolheu depoimentos de mulheres massacradas pelo ideal de beleza e pelo medo da exclusão: «Nas academias de malhação, nas ante-salas das clínicas de cirurgia plástica, ou nos grupos de pacientes à espera de gastroplastia redutora, há o consenso: “só é feia quem quer”. E quem não quiser se enquadrar nos atuais cânones de beleza sofrerá o merecido castigo da rejeição e da exclusão.»

Bienal do Livro de Salvador. 1








Bienal do Livro de Salvador: durante quase duas horas, Moacyr Scliar fala do seu novo livro, O Texto, ou: a Vida (edição Bertrand Brasil), quase uma antologia, quase uma recolha de memórias. Mas não é do novo livro que ele fala, é das histórias de infância, do mundo da adolescência. Durante quase duas horas, Scliar convoca os demónios da literatura (ele que escreveu 75 livros) e da autobiografia para honrar a obsessão pela ficção, pelos personagens e pelo seu mundo do Bonfim. Nesse tempo, ele contou como era a primeira biblioteca, como era a sua primeira autobiografia, como é o seu tempo nos aeroportos, como era a vida dos emigrantes do Leste europeu no Brasil, como Verissimo não leu o seu primeiro conto.

fevereiro 19, 2007

Top

Este é o top dos livros mais vendidos no Brasil, segundo a Folha de São Paulo.

Amyr Klink

Saiba mais sobre a paixão deste brasileiro que navegou por todos os mares por causa da literatura. Para quem viu, no GNT, o documentário sobre as suas viagens, vale a pena ler Parati, Entre Dois Pólos e Mar sem Fim. Mas na Bravo! deste mês, um retrato de Klink enquanto leitor (disponíveis os links para ouvir a entrevista), «Sobre Barcos e Letras».

Jean Charles

Como morreu Jean Charles? A Objetiva lançará em Junho um livro de Ivan Sant'Anna sobre a morte do brasileiro no metro de Londres, adiantando (vem na revista Veja) que «Jean tinha os braços imobilizados ao ser morto com sete tiros na cabeça por agentes da unidade armada da Scotland Yard». O título do livro é Em Nome de sua Majestade.

GLS










Edição da Gryphus: Entenda as Entendidas, ou seja, segundo Cariê Lindenberg, como são, como vivem as entendidas. Um retrato do mundo da homossexualidade feminina.

Moacyr bíblico, uma retoma










O romance é admirável e divertido, A Mulher que Escreveu a Bíblia -- era a mais feia das mulheres do rei Salomão. Scliar retoma a tese de Harold Bloom. O livro em reedição na Companhia de Bolso.

20 anos

Por falar em Companhia das Letras vale a pena visitar o site que assinala os 20 anos de existência da editora. Uma história invejável.

Celso Furtado










É um clássico, o que não significa que esteja «actualizado» ou que -- oh, deuses! -- «a realidade não o tenha entretanto desmentido». Seja como for, aqui está a novíssima edição de Celso Furtado, Formação econômica do Brasil. Edição da Companhia das Letras.










E outra novidade no catálogo da Companhia: a reedição de um clássico de Darcy Ribeiro, As Américas e a Civilização.

Retomar um blog









Nem sempre é fácil retomar um blog. O Gávea é um projecto pessoal de informação sobre livros publicados no Brasil e, durante algum tempo, foi pioneiro. Nessa altura eu vivia no Brasil e o acesso à informação era mais fácil e mais rápido. Com o tempo, outros projectos e outras ocupações sobrepuseram-se. Regressa agora o Gávea, sem promessa de manutenção diária mas com a garantia de uma actualização pelo menos semanal. Nada mau.

dezembro 08, 2006

Ah, Rubem Fonseca novíssimo.












E aí está o novo livro de contos de Rubem Fonseca, Ela e Outras Mulheres (também da Companhia das Letras). Está aqui um extracto.

Verissimo, novo.













Leva o título A Décima Segunda Noite (edição Objetiva) e começa assim: «Mon Dieu, mon Dieu, um gravador. Deus dos papagaios, me acuda. Já ouvi minha voz gravada. Quase silenciei para sempre. É o som do caldeirão rachado com o qual pretendemos comover as estrelas e só conseguimos fazer dançar os ursos, como escreveu Flaubert sobre a linguagem. Tente dizer qualquer coisa séria, ou profunda, com voz de papagaio. Mesmo em francês. Impossible. Foi por isso que não me deram atenção, e a comédia que vou contar quase virou tragédia. Tinha paixão, traição, perfídia, sociologia. E riam, riam. Culpa da voz, minha sina. Com voz de papagaio, nada é importante, nada é trágico. Dizem que Shakespeare lia suas comédias com voz de papagaio para seus atores, que nunca entendiam o que ele escrevia. Só assim eles sabiam que não era tragédia. Não havia gravadores no tempo de Shakespeare. Quantos não devem sua fama póstuma ao fato de não haver um gravador por perto? O mundo talvez fosse outro se descobrissem que Péricles tinha a voz fina, Napoleão a língua presa e... Mas vamos à entrevista.»
Lembra-se de como começa o primeiro Verissimo? Está aqui. Sou um coleccionador das primeiras frases de Verissimo.

Mais mocinhas no Rio de Janeiro.













Nelson Motta retoma para o título do seu novo livro um verso do hino brasileiro: Ao Som do Mar e à Luz do Céu Profundo (edição Objetiva). Sabe onde começa a história do livro? Pois, no Bairro Peixoto, em Copacabana, precisamente onde vive o detective Espinosa, o herói de Garcia-Roza. Aí está mais uma história de Rio, carnaval, bossa nova e, claro, mocinhas. Queriam o quê?

Garcia-Roza, Copacabana.












Depois de Berenice Procura, para o qual Luiz Alfredo Garcia-Roza criou a personagem Berenice, a taxista-investigadora, eis que regressa o delegado Espinosa, da DP de Copacabana, numa nova investigação, Espinosa sem Saída, edição da Companhia das Letras.

Entrevista com Luis Alfredo Garcia-Roza
publicada na revista Ler há uns tempos. E, aqui, um Espinosa de A a Z.

outubro 13, 2006

Erico Verissimo americano








No projecto de reedição das obras completas de Erico Verissimo, acaba de sair Gato Preto em Campo de Neve, o caderno de viagem americano do autor de Olhai os Lírios do Campo. Tem prefácio de Luis Fernando Verissimo, o filho -- e fotos de viagem.

Brasil: os mais vendidos

Lista dos best-sellers brasileiros, na Folha de São Paulo.

Actualização diária

Notícias diárias sobre edição, literatura & assuntos afins, neste outro blog.

Millôr Fernandes

Reedição de Que País é Este?, de 1972 -- um extracto.

outubro 09, 2006

Mais Pessoa no Brasil

A Objetiva publica, com organização de Luiz Ruffato, uma antologia da obra de Fernando Pessoa, Quando Fui Outro. Entrevista com Ruffato aqui. Extracto do livro em versão PDF aqui.