outubro 09, 2006

Alfaguara no Brasil

O selo Alfaguara passa a ser publicado no Brasil pela Objetiva, que integra assim o Grupo Santillana.

Ruy Castro: cinema

Ruy Castro, o autor das biografias de Garrincha, Nelson Rodrigues e Carmen Miranda acaba de publicar Um Filme é para Sempre, uma reunião dos seus textos sobre cinema. Do site da Companhia das Letras:
«Um Filme é para Sempre responde a um antigo desejo dos leitores de Ruy Castro: reler seus melhores artigos sobre cinema publicados na imprensa nos últimos trinta anos. São perfis de atores e atrizes americanos e europeus do período clássico, pequenos ensaios sobre diretores e comentários sobre filmes famosos e obscuros. O elenco vai de Bette Davis, Marlon Brando, Zsa Zsa Gabor e Boris Karloff a Bob Fosse, Max Factor, Leni Riefenstahl e ao Dr. Mabuse. Todos os artigos têm as marcas registradas que tornam os textos de Ruy tão saborosos: originalidade e informação, clareza e humor - o mesmo estilo que ele imprime às biografias pelas quais ficou conhecido, como O anjo pornográfico, Estrela solitária e Carmen. Ruy faz revelações surpreendentes: o leitor fica sabendo, por exemplo, quais as grandes obras-primas do cinema que jamais chegaram a ser filmadas; conhece a verdadeira personalidade de figuras doces e engraçadas como Gene Kelly, Groucho Marx e Jerry Lewis; descobre o drama que havia na vida de mulheres lindas como Lana Turner, Esther Williams e Romy Schneider; e é apresentado a facetas insuspeitas de astros tão marcantes como John Wayne, Boris Karloff ou Marcello Mastroianni. E, em pelo menos dois artigos, Ruy relata experiências pessoais, como quando presenciou a Revolução dos Cravos, em Portugal (que depois viu retratada no filme Capitães de abril), e participou da Geração Paissandu.»

setembro 03, 2006

João Gilberto Noll

Entrevista com João Gilberto Noll, em Porto Alegre. Som do programa Escrita em Dia, na Antena Um, Lisboa.

Cícero

Entrevista de Antônio Cícero no site da Record, a propósito de A Cidade e Os Livros (edição portuguesa na Quási). Cícero esteve recentemente em Lisboa, na Casa Fernando Pessoa.

João Tordo no Brasil












A Rocco acaba de publicar no Brasil o livro de estreia de João Tordo, O Livro dos Homens sem Luz (edição portuguesa da Temas & Debates).

Almanaques










Dois livros para curiosos reterem imagens dos anos que passam: o Almanaque dos Anos 70, de Ana Maria Bahiana («O primeiro campeonato de surf no Brasil, a inauguração do metrô, os loucos festivais de rock no interior, enfim, das drogas à censura, de Leila Diniz grávida de biquíni ao surgimento da onda black...») e o delicioso Almanaque do Fusca, de Fábio Kataoka e Portuga Tavares («as histórias da Kombi, Gurgel, Miura, Bianco, TL, SP2, Daicon, Puma, Baja, Karman Ghia, Brasília, Variant, Jaguar e, claro, toda a história paralela do Fusca, seus modelos diversos, sua influência no cinema, na economia, na arte, na moda, na cultura pop, enfim, tudo o que foi criado a partir deste modelo que já passou por mais de 90.000 alterações e mantém o mesmo design original...»). Ambos publicados pela Ediouro.

Jabor reunido













A Objetiva lançou este PornoPolítica, os melhores textos de Arnaldo Jabor.
Um extracto:
Já passei por caminhos de amor e sexo, mas não sei a resposta; tudo fica difuso quando tento me lembrar dos grandes momentos de êxtase. O prazer se esvai na memória. Já amei mulheres, só depois que as perdi. Já odiei ser amado, já amei por narcisismo. Quantos “amam” para humilhar o outro com seu “imenso” amor? Quantos “amam” por egoísmo? Nos anos 70, amor e sexo passaram por uma revolução meio confusa. As paixões eram súbitas, e as separações, sem aviso.
Sumira do amor o desejo de eternidade, havia um sexo experimental no ar que almejava o “desregramento de todos os sentidos”, em busca de um nível mais alto de consciência. Eram caretas a possessividade, a fidelidade. Os casamentos e namoros firmes perderam o rumo, pois nos faltavam as regras da tradição. No entanto, as emoções fundamentais estavam ali, disfarçadas, mas presentes: posse, ciúme, medo. O que faz o amor tão inquietante é o medo da rejeição, da perda do objeto ou, mais simplesmente, da dor-de-corno. Eu já sofri monumentais dores-de-corno, e elas me ensinaram muito. Acho mesmo que o homem só vira homem quando recebe chifres didáticos. Só aí o macho onipotente conhece o desespero da condição humana. A dor-de-corno é física, é uma experiência de morte.

agosto 14, 2006

Mais vendidos no Brasil.

Conferir aqui a lista dos livros mais vendidos em São Paulo, na Livraria Cultura.

Links

O Gávea regressou e está a proceder à actualização de links. Deixe sugestões.

Flip. Parati.

Mário de Carvalho, Alberto da Costa e Silva, Benjamin Zephaniah, Ali Smith, José Miguel Wisnik, Lillian Ross, Philip Gourevitch, Toni Morrison, André Sant'Anna, Reinaldo Moraes, Christopher Hitchens, Fernando Gabeira, Edmund White e Nicole Krauss participaram da FLIP 2006, que aconteceu de 9 a 13 de agosto, em Parati, Rio de Janeiro. Acompanhe a programação e o dia-a-dia do evento pelo site do Festival de Parati.

Gonçalo M. Tavares na Companhia








A Companhia das Letras acaba de publicar Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares.

maio 26, 2006

Romance de Patrícia Melo continua as aventuras de Maiquel.












Em Mundo Perdido, Patrícia Melo continua a biografia de Maiquel, o personagem de O Matador: só que agora já perdido entre a selvajaria urbana, os cartéis da droga e os acampamentos de sem-terra. Também na Companhia das Letras.

Moacyr e os vendilhões












Novo livro de Moacyr Scliar, no catálogo da Companhia das Letras: Os Vendilhões do Templo.

dezembro 03, 2005

Garcia-Roza sem Espinoza, mas com Berenice













Acabou de sair. Defeito óbvio: não tem o delegado Espinoza como personagem.

«Às oito e meia da noite teve a certeza de que não haveria encontro. A galeria estava seca e razoavelmente limpa e, coisa rara, não havia ninguém lá dentro. De onde estava, podia ver uma extensão de praia corresponente a cerca de duas quadras da avenida Atlântica; se pusesse a cabeça para fora, poderia ver toda a extensão da praia. Perto das nove da noite optou por uma retirada segura por baixo da terra em direcção às ruas internas de Copacabana.»
Luiz Alfredo Garcia-Roza, Berenice Procura. (Companhia das Letras)

Sobre Luiz Alfredo Garcia-Roza no Gávea. Entrevista com Garcia-Roza na Ler. Garcia-Roza de A a Z.

O regresso de Verissimo















«Eu acho que o sexo tem que ser entre pessoas que se amam, ou se gostam, ou se respeitam, ou então não se conhecem mas não têm nada mais para fazer entre as seis e as oito. Senão fica uma coisa mecânica, entende?»

«Eu acho que na cama vale tudo, menos legumes. Já perdi a namorada porque disse que o meu limite era o pepino. E nos dávamos bem, ela também é do coral da igreja.»

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

«Um dia Moacyr ("com ipsilone", como se dizia) chegou em casa e encontrou sua mulher na cama com um fuzileiro naval. Comentou que há muito tempo não via fuzileiros navais, com seus uniformes característicos na rua, e até se indignava se a corporação ainda existia.
-- Existimos -- respondeu o fuzileiro Tobias --, mas só para serviços especiais.
E Dalinda, ao seu lado, sorriu e baixou os olhos, imaginando que Tobias se referia a ela.»

Luis Fernando Verissimo, Orgias. (Objetiva)

Nova biografia de Ruy Castro: agora, Carmen Miranda




















A biografia de Carmen Miranda, por Ruy Castro (o autor de Estrela Solitária, a biografia de Garrincha, e de O Anjo Pornográfico, a de Nelson Rodrigues), aí está. A mim soa-me a grande trabalho (apesar da desconfiança do Ivan); além do mais, estive com o Ruy no dia em que ele regressou de Marco de Canavezes, a terra de Carmen Miranda (Várzea de Ovelha) e vi aquele brilho no olhar.

Ruy Castro, Carmen. (Companhia das Letras)


>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>


Entrevista de Ruy Castro ao site da Companhia das Letras:

Carmen, o novo livro de Ruy Castro, é a maior biografia de um artista já publicada no Brasil. Ano a ano, o autor acompanha a vida da brasileira mais famosa do século XX - do nascimento da menina Maria do Carmo, numa aldeia em Portugal (e a vinda ao Rio de Janeiro, em 1909, com dez meses de idade), à consagração brasileira e internacional de Carmen Miranda e sua morte em Beverly Hills, aos 46 anos, vítima da carreira meteórica e dos muitos soníferos e estimulantes que massacraram seu organismo em pouco tempo.
Mas Carmen não é apenas uma biografia. Enquanto entrelaça a intimidade e a vida pública da maior estrela do Brasil, Ruy Castro nos leva a um passeio pelo Rio dos anos 20 e 30, e por Nova York e Hollywood dos anos 40 e 50 - cenários de que é especialista. E ainda resgata a história da música popular brasileira, da praia, do Carnaval, da juventude do passado, da Rádio Mayrink Veiga, do Cassino da Urca, da Broadway, dos gângsters que dominavam os nightclubs americanos e dos bastidores dos estúdios de cinema - numa época em que os beijos eram em Technicolor e em que, para estrelas como Carmen, as noites não tinham fim.


Quando e como surgiu a idéia de biografar Carmen Miranda?
Foi há dez anos, quando terminei de escrever Estrela solitária. De livro para livro, sempre gostei de variar de personagem. Depois de escrever sobre um teatrólogo (Nelson Rodrigues) e um jogador de futebol (Garrincha), achei que gostaria de biografar uma mulher. Pensei logo em Leila Diniz e em Carmen. O foco sobre Leila espalhou-se por Ipanema e se transformou no livro Ela é carioca, de 1999. Mas Carmen merecia um livro só para ela. Hoje está claro para mim que, além de fabulosa cantora, ela foi uma das moças mais modernas e revolucionárias de seu tempo. Carmen era independente, falava palavrão e todo mundo sabia que tinha vida sexual com o namorado, mas ninguém lhe faltava ao respeito. E isso em pleno ano de, digamos, 1930!

Você já afirmou que não escreveria mais biografias. O que o fez mudar de idéia?
A própria Carmen. Era irresistível como artista, como mulher e como personagem. Gosto dela desde que nasci e, talvez, até antes. Meu pai, solteiro no Rio dos anos 30, morava na Lapa, era boêmio, tocava violão e freqüentava as estações de rádio. Era fã de Carmen, de Mario Reis, de Chico Alves, e tinha centenas de discos de 78 rpm. Cresci ouvindo esse repertório. Lembro-me muito bem do dia da morte de Carmen, em agosto de 1955 - tinha sete anos, mas vi como a notícia abalou minha família. E eu próprio sempre a achei a maior cantora brasileira de todos os tempos.

Quanto tempo você levou para investigar e escrever Carmen?
Comecei a trabalhar no livro em janeiro de 2001, recolhendo material em arquivos, sebos e leilões - enquanto isso, estava escrevendo Carnaval no fogo. Em 2003, assim que entreguei esse livro à editora, mergulhei para valer em Carmen. Entre investigar e escrever, foram quase três anos de dedicação integral, e que eu não trocaria por nada. Falei com cerca de 170 fontes diretas, num total de mais de mil entrevistas, incluindo uma grande quantidade de contemporâneos de Carmen - homens e mulheres na faixa dos noventa anos, perfeitamente lúcidos e ativos. (Nunca deixei de me comover com o amor que ainda sentiam por Carmen.) Em certos casos, foi uma corrida contra o tempo - e perdi alguns por uma questão de dias. Graças à ajuda dos amigos, ouvi todos os discos citados no livro e vi todos os filmes - os de Carmen, inúmeras vezes. Fui a Várzea de Ovelha, onde Carmen nasceu, perto da cidade do Porto, e conversei com seus parentes, inclusive uma prima-irmã.

Há descobertas de que você se orgulha particularmente?
Ah, muitas. A primeira foi a reconstituição da infância de Carmen na colônia portuguesa no Rio, no começo do século XX. Outra foi a de que a Lapa, onde ela morou dos seis aos dezesseis anos, de 1915 a 1925, foi fundamental para a sua formação. Carmen estava no lugar certo quando muitas coisas importantes estavam começando: a Lapa, a Cinelândia, a praia, o rádio, o disco e o cinema. Tudo isso é inédito. Outra passagem de que me orgulho é a reconstituição do show no Cassino da Urca em 1940 com a presença de tanta gente do governo na platéia, a maioria simpatizante de Hitler - foi por isso que hostilizaram Carmen e disseram que ela voltara “americanizada”... E, finalmente, a relativização da famosa Política da Boa Vizinhança - que só teve alguma importância porque contou com Carmen Miranda, e não o contrário.

Você diria que Carmen é sua melhor biografia, até pela experiência acumulada?
Sim. Mesmo porque não é só uma biografia. É também um levantamento de uma época maravilhosa e uma história de como as drogas ditas “legais” acabaram com a vida de várias estrelas do cinema, como Carmen, Marilyn Monroe, Judy Garland. Não sei se devo confessar, mas eu próprio chorei ao escrever o final do livro.

novembro 22, 2005

>> Os melhores livros de 2005 / Votação geral <<









O programa Livro Aberto vai lançar uma votação, entre os seus telespectadores, para elaborar uma lista dos melhores livros do ano. Quatro categorias, atendendo ao ritmo editorial português:


>>>> Ficção Portuguesa

>>>> Ficção Estrangeira

>>>> Poesia

>>>> Ensaio



Na blogosfera, os votos são enviados para o endereço de correio electrónico deste blog sob a forma de listas constituídas por um máximo de dez títulos por categoria. Periodicamente, o blog publicará os resultados parciais e, no dia 5 de Janeiro, será conhecida a lista dos vinte livros mais votados por categoria, os finalistas, abrindo-se um período de oito dias para votações finais com base nessas listas.
Os resultados definitivos serão publicados no dia 12 de Janeiro no blog e na imprensa, além de resultarem numa emissão especial do programa Livro Aberto.

A partir de agora, a votação está aberta. Vamos às estantes recordar os livros que mais nos marcaram em 2005.

novembro 19, 2005

Homens, mulheres









Leia o artigo de Carla Rodrigues sobre os novos livros de Martha Medeiros e Nelson de Oliveira, respectivamente Divã (Objetiva) e A Maldição do Macho (Record).

Português de ambos os lados do rio

A expressão «Rio Atlântico» foi criada por Onésimo Teotónio de Almeida, num dos seus livros -- e é um debate que regressa de vez em quando ao Gávea. Desta vez, Alex Castro, do blog Liberal, Libertário, Libertino, escreve sobre o assunto a propósito das suas leituras de Lobo Antunes:
«Não adianta se enganar achando que brasileiros e portugueses falam a mesma língua.
Meu pai teve empresa em Portugal e eu passei algumas férias lá, andando com os filhos dos seus sócios por Estoril e Cascais, curtindo a vida de adolescente lisboeta da década de 80. Minhas primeiras leituras foram os pocket-books de terror e mistério da Livros do Brasil e Europa-América, aventuras giras nas quais chuís se envolviam com sensuais raparigas e acabavam se metendo em muitos sarilhos. Depois, viciado pelos grandes descobrimentos, li As Décadas de João Barros e várias outras narrativas de navegadores, escritas em português da época.
Meu conhecimento de lusitano, imagino, deve ser acima da média de um brasileiro comum.
Apesar disso, tenho mais dificuldade de entender a RTP do que a BBC ou a Telemundo. Tentei decifrar o famoso blog português Meu Pipi e simplesmente não consegui.
Nas últimas duas semanas, li quatro livros de António Lobo Antunes - e estou começando o quinto. No total, foram mais de 1.500 páginas de lusitano, em um estilo propositadamente complexo e algo hermético.
Confiem em mim, palavra de brasileiro que entende lusitano melhor que a média: portugueses e brasileiros já não falam a mesma língua faz tempo. Os editores de ambos os países que ignoram esse fato o fazem em detrimento dos leitores (que não entendem lhufas) e autores (cujas obras são mal-transmitidas).»
Ler mais aqui.

novembro 18, 2005

Vaidade de blogger













Depois da edição de Um Céu Demasiado Azul, saiu agora As Duas Águas do Mar. Ambos na Record.

Só uma nota: eu nunca me importei que o editor brasileiro alterasse a ortografia dos meus livros. Não sou ortodoxo. Sou um traidor. Mas desde que outros autores apareceram nos jornais portugueses a dizer coisas como «eu nunca permiti que alterassem a ortografia dos meus livros no Brasil», sinto-me na obrigação de dizer o seguinte: não só eu não me importaria que o editor brasileiro propusesse algumas alterações à ortografia como, ainda por cima, o editor brasileiro exigiu que os livros saíssem sempre com ortografia do português de Portugal. Portanto, quando lerem aquelas declarações pomposas de autores a dizer que nem uma vírgula permitem que os brasileiros alterem nos seus livros, já sabem: é mentira. É só fita. Os editores não querem mesmo alterar.