agosto 14, 2006
Mais vendidos no Brasil.
Conferir aqui a lista dos livros mais vendidos em São Paulo, na Livraria Cultura.
Flip. Parati.
Mário de Carvalho, Alberto da Costa e Silva, Benjamin Zephaniah, Ali Smith, José Miguel Wisnik, Lillian Ross, Philip Gourevitch, Toni Morrison, André Sant'Anna, Reinaldo Moraes, Christopher Hitchens, Fernando Gabeira, Edmund White e Nicole Krauss participaram da FLIP 2006, que aconteceu de 9 a 13 de agosto, em Parati, Rio de Janeiro. Acompanhe a programação e o dia-a-dia do evento pelo site do Festival de Parati.
maio 26, 2006
Romance de Patrícia Melo continua as aventuras de Maiquel.
dezembro 03, 2005
Garcia-Roza sem Espinoza, mas com Berenice

Acabou de sair. Defeito óbvio: não tem o delegado Espinoza como personagem.
«Às oito e meia da noite teve a certeza de que não haveria encontro. A galeria estava seca e razoavelmente limpa e, coisa rara, não havia ninguém lá dentro. De onde estava, podia ver uma extensão de praia corresponente a cerca de duas quadras da avenida Atlântica; se pusesse a cabeça para fora, poderia ver toda a extensão da praia. Perto das nove da noite optou por uma retirada segura por baixo da terra em direcção às ruas internas de Copacabana.»
Luiz Alfredo Garcia-Roza, Berenice Procura. (Companhia das Letras)
Sobre Luiz Alfredo Garcia-Roza no Gávea. Entrevista com Garcia-Roza na Ler. Garcia-Roza de A a Z.
O regresso de Verissimo

«Eu acho que o sexo tem que ser entre pessoas que se amam, ou se gostam, ou se respeitam, ou então não se conhecem mas não têm nada mais para fazer entre as seis e as oito. Senão fica uma coisa mecânica, entende?»
«Eu acho que na cama vale tudo, menos legumes. Já perdi a namorada porque disse que o meu limite era o pepino. E nos dávamos bem, ela também é do coral da igreja.»
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«Um dia Moacyr ("com ipsilone", como se dizia) chegou em casa e encontrou sua mulher na cama com um fuzileiro naval. Comentou que há muito tempo não via fuzileiros navais, com seus uniformes característicos na rua, e até se indignava se a corporação ainda existia.
-- Existimos -- respondeu o fuzileiro Tobias --, mas só para serviços especiais.
E Dalinda, ao seu lado, sorriu e baixou os olhos, imaginando que Tobias se referia a ela.»
Luis Fernando Verissimo, Orgias. (Objetiva)
Nova biografia de Ruy Castro: agora, Carmen Miranda


A biografia de Carmen Miranda, por Ruy Castro (o autor de Estrela Solitária, a biografia de Garrincha, e de O Anjo Pornográfico, a de Nelson Rodrigues), aí está. A mim soa-me a grande trabalho (apesar da desconfiança do Ivan); além do mais, estive com o Ruy no dia em que ele regressou de Marco de Canavezes, a terra de Carmen Miranda (Várzea de Ovelha) e vi aquele brilho no olhar.
Ruy Castro, Carmen. (Companhia das Letras)
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Entrevista de Ruy Castro ao site da Companhia das Letras:
Carmen, o novo livro de Ruy Castro, é a maior biografia de um artista já publicada no Brasil. Ano a ano, o autor acompanha a vida da brasileira mais famosa do século XX - do nascimento da menina Maria do Carmo, numa aldeia em Portugal (e a vinda ao Rio de Janeiro, em 1909, com dez meses de idade), à consagração brasileira e internacional de Carmen Miranda e sua morte em Beverly Hills, aos 46 anos, vítima da carreira meteórica e dos muitos soníferos e estimulantes que massacraram seu organismo em pouco tempo.
Mas Carmen não é apenas uma biografia. Enquanto entrelaça a intimidade e a vida pública da maior estrela do Brasil, Ruy Castro nos leva a um passeio pelo Rio dos anos 20 e 30, e por Nova York e Hollywood dos anos 40 e 50 - cenários de que é especialista. E ainda resgata a história da música popular brasileira, da praia, do Carnaval, da juventude do passado, da Rádio Mayrink Veiga, do Cassino da Urca, da Broadway, dos gângsters que dominavam os nightclubs americanos e dos bastidores dos estúdios de cinema - numa época em que os beijos eram em Technicolor e em que, para estrelas como Carmen, as noites não tinham fim.
Quando e como surgiu a idéia de biografar Carmen Miranda?
Foi há dez anos, quando terminei de escrever Estrela solitária. De livro para livro, sempre gostei de variar de personagem. Depois de escrever sobre um teatrólogo (Nelson Rodrigues) e um jogador de futebol (Garrincha), achei que gostaria de biografar uma mulher. Pensei logo em Leila Diniz e em Carmen. O foco sobre Leila espalhou-se por Ipanema e se transformou no livro Ela é carioca, de 1999. Mas Carmen merecia um livro só para ela. Hoje está claro para mim que, além de fabulosa cantora, ela foi uma das moças mais modernas e revolucionárias de seu tempo. Carmen era independente, falava palavrão e todo mundo sabia que tinha vida sexual com o namorado, mas ninguém lhe faltava ao respeito. E isso em pleno ano de, digamos, 1930!
Você já afirmou que não escreveria mais biografias. O que o fez mudar de idéia?
A própria Carmen. Era irresistível como artista, como mulher e como personagem. Gosto dela desde que nasci e, talvez, até antes. Meu pai, solteiro no Rio dos anos 30, morava na Lapa, era boêmio, tocava violão e freqüentava as estações de rádio. Era fã de Carmen, de Mario Reis, de Chico Alves, e tinha centenas de discos de 78 rpm. Cresci ouvindo esse repertório. Lembro-me muito bem do dia da morte de Carmen, em agosto de 1955 - tinha sete anos, mas vi como a notícia abalou minha família. E eu próprio sempre a achei a maior cantora brasileira de todos os tempos.
Quanto tempo você levou para investigar e escrever Carmen?
Comecei a trabalhar no livro em janeiro de 2001, recolhendo material em arquivos, sebos e leilões - enquanto isso, estava escrevendo Carnaval no fogo. Em 2003, assim que entreguei esse livro à editora, mergulhei para valer em Carmen. Entre investigar e escrever, foram quase três anos de dedicação integral, e que eu não trocaria por nada. Falei com cerca de 170 fontes diretas, num total de mais de mil entrevistas, incluindo uma grande quantidade de contemporâneos de Carmen - homens e mulheres na faixa dos noventa anos, perfeitamente lúcidos e ativos. (Nunca deixei de me comover com o amor que ainda sentiam por Carmen.) Em certos casos, foi uma corrida contra o tempo - e perdi alguns por uma questão de dias. Graças à ajuda dos amigos, ouvi todos os discos citados no livro e vi todos os filmes - os de Carmen, inúmeras vezes. Fui a Várzea de Ovelha, onde Carmen nasceu, perto da cidade do Porto, e conversei com seus parentes, inclusive uma prima-irmã.
Há descobertas de que você se orgulha particularmente?
Ah, muitas. A primeira foi a reconstituição da infância de Carmen na colônia portuguesa no Rio, no começo do século XX. Outra foi a de que a Lapa, onde ela morou dos seis aos dezesseis anos, de 1915 a 1925, foi fundamental para a sua formação. Carmen estava no lugar certo quando muitas coisas importantes estavam começando: a Lapa, a Cinelândia, a praia, o rádio, o disco e o cinema. Tudo isso é inédito. Outra passagem de que me orgulho é a reconstituição do show no Cassino da Urca em 1940 com a presença de tanta gente do governo na platéia, a maioria simpatizante de Hitler - foi por isso que hostilizaram Carmen e disseram que ela voltara “americanizada”... E, finalmente, a relativização da famosa Política da Boa Vizinhança - que só teve alguma importância porque contou com Carmen Miranda, e não o contrário.
Você diria que Carmen é sua melhor biografia, até pela experiência acumulada?
Sim. Mesmo porque não é só uma biografia. É também um levantamento de uma época maravilhosa e uma história de como as drogas ditas “legais” acabaram com a vida de várias estrelas do cinema, como Carmen, Marilyn Monroe, Judy Garland. Não sei se devo confessar, mas eu próprio chorei ao escrever o final do livro.
novembro 22, 2005
>> Os melhores livros de 2005 / Votação geral <<

O programa Livro Aberto vai lançar uma votação, entre os seus telespectadores, para elaborar uma lista dos melhores livros do ano. Quatro categorias, atendendo ao ritmo editorial português:
>>>> Ficção Portuguesa
>>>> Ficção Estrangeira
>>>> Poesia
>>>> Ensaio
Na blogosfera, os votos são enviados para o endereço de correio electrónico deste blog sob a forma de listas constituídas por um máximo de dez títulos por categoria. Periodicamente, o blog publicará os resultados parciais e, no dia 5 de Janeiro, será conhecida a lista dos vinte livros mais votados por categoria, os finalistas, abrindo-se um período de oito dias para votações finais com base nessas listas.
Os resultados definitivos serão publicados no dia 12 de Janeiro no blog e na imprensa, além de resultarem numa emissão especial do programa Livro Aberto.
A partir de agora, a votação está aberta. Vamos às estantes recordar os livros que mais nos marcaram em 2005.
novembro 19, 2005
Homens, mulheres

Leia o artigo de Carla Rodrigues sobre os novos livros de Martha Medeiros e Nelson de Oliveira, respectivamente Divã (Objetiva) e A Maldição do Macho (Record).
Português de ambos os lados do rio
A expressão «Rio Atlântico» foi criada por Onésimo Teotónio de Almeida, num dos seus livros -- e é um debate que regressa de vez em quando ao Gávea. Desta vez, Alex Castro, do blog Liberal, Libertário, Libertino, escreve sobre o assunto a propósito das suas leituras de Lobo Antunes:
«Não adianta se enganar achando que brasileiros e portugueses falam a mesma língua.
Meu pai teve empresa em Portugal e eu passei algumas férias lá, andando com os filhos dos seus sócios por Estoril e Cascais, curtindo a vida de adolescente lisboeta da década de 80. Minhas primeiras leituras foram os pocket-books de terror e mistério da Livros do Brasil e Europa-América, aventuras giras nas quais chuís se envolviam com sensuais raparigas e acabavam se metendo em muitos sarilhos. Depois, viciado pelos grandes descobrimentos, li As Décadas de João Barros e várias outras narrativas de navegadores, escritas em português da época.
Meu conhecimento de lusitano, imagino, deve ser acima da média de um brasileiro comum.
Apesar disso, tenho mais dificuldade de entender a RTP do que a BBC ou a Telemundo. Tentei decifrar o famoso blog português Meu Pipi e simplesmente não consegui.
Nas últimas duas semanas, li quatro livros de António Lobo Antunes - e estou começando o quinto. No total, foram mais de 1.500 páginas de lusitano, em um estilo propositadamente complexo e algo hermético.
Confiem em mim, palavra de brasileiro que entende lusitano melhor que a média: portugueses e brasileiros já não falam a mesma língua faz tempo. Os editores de ambos os países que ignoram esse fato o fazem em detrimento dos leitores (que não entendem lhufas) e autores (cujas obras são mal-transmitidas).»
Ler mais aqui.
novembro 18, 2005
Vaidade de blogger

Depois da edição de Um Céu Demasiado Azul, saiu agora As Duas Águas do Mar. Ambos na Record.
Só uma nota: eu nunca me importei que o editor brasileiro alterasse a ortografia dos meus livros. Não sou ortodoxo. Sou um traidor. Mas desde que outros autores apareceram nos jornais portugueses a dizer coisas como «eu nunca permiti que alterassem a ortografia dos meus livros no Brasil», sinto-me na obrigação de dizer o seguinte: não só eu não me importaria que o editor brasileiro propusesse algumas alterações à ortografia como, ainda por cima, o editor brasileiro exigiu que os livros saíssem sempre com ortografia do português de Portugal. Portanto, quando lerem aquelas declarações pomposas de autores a dizer que nem uma vírgula permitem que os brasileiros alterem nos seus livros, já sabem: é mentira. É só fita. Os editores não querem mesmo alterar.
novembro 14, 2005
O Mundo não é Chato, por Caetano Veloso


Recolha de artigos, contracapas de discos, prefácios e polémicas, aí está O Mundo não É Chato, de Caetano Veloso (Companhia das Letras). E opiniões sobre Oswald de Andrade, Bob Dylan, Visconti, Pelé, Jimi Hendrix, Gilberto Gil, Glauber, Tom Jobim, Cazuza, Nelson Rodrigues, Fernando Pessoa, Elis Regina, Lorca e muitos mais.
Risco incalculável
Adauto de Novaes organizou um livro para correr um risco incalculável, mas a experiência pode valer a pena: Poetas que Pensaram o Mundo (Companhia das Letras). Novaes adverte para o perigo, mas mesmo assim antologia textos de Shakespeare, Eliot, Rimbaud, Valéry ou Pessoa.
Amor, amor

É um dos mais recentes lançamentos da Contexto: História do Amor no Brasil, de Mary Del Priori. Moacyr Scliar escreveu uma boa crítica no Estadão. Mas, enfim...
Mary Del Priori é professora da PUC do Rio de Janeiro e da USP e já escreveu uma História das Mulheres no Brasil.
Saramago na frente
A lista dos livros mais vendidos de O Estado de São Paulo deste domingo já inclui o novo romance de José Saramago (As Intermitências da Morte, edição Companhia das Letras) em primeiro lugar. Na semana anterior estava em terceiro.
Já agora, em segundo lugar está O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini e, em terceiro, Memórias das Minhas Putas Tristes, de García Márquez.
Já agora, em segundo lugar está O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini e, em terceiro, Memórias das Minhas Putas Tristes, de García Márquez.
Questões coloniais, ainda
Sasha Cavalcante nos comentários do Gávea acerca deste post:
«Como brasileiro, não posso deixar de demonstrar a minha indignação perante determinada corrente de pensamento bastante difundida entre a classe média do meu país, a de uma pretensa língua “brasileira”, que infelizmente tem encontrado eco nas mentes mais xenófobas que habitam este universo virtual. No Orkut, nomeadamente, confesso que tenho abertamente criticado esta tese absurda que, felizmente, grassa em mentes menos esclarecidas.
Tenho o maior orgulho de ter sido colonizado por Portugal, enquanto cidadão, e a plena consciência de que falamos a mesma língua, certeza esta solidificada após 13 anos a trabalhar como jornalista em rádios e jornais do distrito de Santarém.
Não fossem os portugueses e o Brasil não seria o Brasil que conhecemos, o Brasil da bossa-nova, de Tom Jobim, Vinícius de Moraes, e tantos outros artistas da nossa MPB. Não fossem os portugueses, não teríamos a oportunidade de ouvir a Amália Rodrigues cantar um fado de Vinícius nem o Caetano Veloso interpretar um tema da grande cantora portuguesa. Não teríamos Jorge Amado, Érico Verísssimo e tantos outros. Felizmente, a grande maioria do povo brasileiro e a totalidade da nossa inteligentsia tupiniquim não alinha com esta teoria ufanista, nada e criada nos círculos mais conservadores e reacionários. Eça de Queirós foi sempre o escritor estrangeiro mais lido no Brasil e, mais recentemente, José Saramago conquistou os brasileiros, assim como o grupo Madredeus vê o seu público aumentar. Miguel Sousa Tavares foi citado diversas vezes pela revista Veja, que elogiou o seu romance Equador, e ainda foi convidado do programa de Jô Soares, assim como o jornalista Carlos Fino, que recentemente passou por lá.
É fato que artistas e intelectuais dos dois lados do Atlântico tem mantido uma sólida relação de amizade que dura décadas. Vinícius visitava Amália nas suas idas a Portugal e percorria as tertúlias de Coimbra ciceroneado por Nicolau Breyner e José Niza. Quando Caetano Veloso viveu exilado em Londres no início dos anos 70, firmou amizade com Zeca Afonso, que gravava por lá os seus discos e tinha a presença assídua do baiano no estúdio. É, portanto, ridículo qualquer argumento que venha inventar uma língua brasileira ou até mesmo, o que me é difícil acreditar, que os livros de autores portugueses sejam boicotados no Brasil. Basta uma simples pesquisa pelo Google para perceber que a maioria dos sites na internet sobre Fernando Pessoa é mantido por brasileiros.
Eu sou um sebastianista, acredito na fatalidade que colocou vários povos a falar a mesma língua e que o nosso caminho é mais ou menos por aí, por uma afirmação da nossa língua enquanto identidade cultural, enriquecida pelas diversas variantes do nosso idioma. A chegada dos escritores portugueses será sempre bem vinda, assim como qualquer outra manifestação cultural.»
Eu sou um sebastianista, acredito na fatalidade que colocou vários povos a falar a mesma língua e que o nosso caminho é mais ou menos por aí, por uma afirmação da nossa língua enquanto identidade cultural, enriquecida pelas diversas variantes do nosso idioma. A chegada dos escritores portugueses será sempre bem vinda, assim como qualquer outra manifestação cultural.»
Sasha Cavalcante
novembro 04, 2005
Debate
Interessante o debate sobre o artigo de Sanches Neto que já motivou um artigo do Diário de Notícias, de Lisboa (2 páginas), além de uma crónica de Eduardo Prado Coelho no Público. Ver também o post de Eduardo Pitta no Da Literatura.
Por gentileza do Gonçalo Soares, está aqui o texto integral do artigo de Sanches Neto.
Para os leitores brasileiros interessados em acompanhar de perto alguns debates e opiniões portugueses, sugiro o Da Literatura.
Por gentileza do Gonçalo Soares, está aqui o texto integral do artigo de Sanches Neto.
Para os leitores brasileiros interessados em acompanhar de perto alguns debates e opiniões portugueses, sugiro o Da Literatura.
novembro 02, 2005
Ensaios
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