setembro 07, 2005

São José dos Ausentes.












Sol debruçado sobre as neblinas,
primeiros vaga-lumes. Barreira contra
a ventania, uma nuvem sobre outra,
silêncio sobre silêncio, vegetação,
passos no meio da chuva.

agosto 18, 2005

A Região Submersa. Agora a negro.














Foi em Portugal que Tabajara Ruas (então no exílio) publicou A Região Submersa pela primeira vez. Agora, a Record incluiu o livro na sua série Negra. Fantástica aventura de Cid Espigão, o detective de Porto Alegre. O livro também está publicado em Portugal pela Ambar,

Tabajara Ruas (1942), gaúcho de Uruguaiana, é escritor, tradutor e autor de guiões para televisão e cinema. Entre 1971 e 1981, Tabajara viveu exilado e morou em diversos países: Chile, Argentina, Dinamarca e Portugal. Actualmente trabalha como publicitário entre Porto Alegre e Florianópolis. Entre os seus livros estão Netto Perde a Sua Alma (Record no Brasil e Ambar em Portugal), O Fascínio (Record no Brasil e Ambar em Portugal), Perseguição e Cerco a Juvêncio Gutierrez (Record no Brasil e Ambar em Portugal), O Amor de Pedro por João (Record), As Armas e os Varões Assinalados (LPM).

Os artistas da bola. Domingos da Guia.























O fantástico Domingos da Guia biografado por Aidan Hamilton, no livro Divino Mestre (edição da Gryphus). Hamilton, que é jornalista da BBC, já tinha publicado o livro Um Jogo Inteiramente Diferente.

[DOMINGOS DA GUIA Começou jogando no Bangú em 1929. Depois se transferiu para o Nacional de Montevidéu onde conquistou o titulo de campeão uruguaio de 1933. Voltou ao Brasil para jogar no Vasco e foi campeão carioca em 1934. Saiu novamente para vestir a camisa do Boca Junior e outra vez foi campeão argentino de 1935. A próxima camisa foi a do Flamengo. No clube da Gávea foi campeão carioca nos anos de 1939. 1942 e 1943. Já veterano defendeu o Corinthians Paulista e encerrou sua carreira onde começou, no Bangú. Jogava de cabeça erguida, tinha uma perfeita noção de colocação e se destacava pela antecipação nas jogadas. Por seu futebol quase perfeito, tinha o apelido de Divino.

Vestiu a camisa da seleção brasileira em trinta partidas. Disputou vários campeonatos sul-americanos mas nunca foi campeão. Participou da Copa do Mundo de 1938 e ficou em terceiro lugar. Seguindo os passos e a tradição do pai, Ademir da Guia foi um dos mais clássicos e elegantes jogadores do nosso futebol. Domingos da Guia nasceu no dia 19 de novembro de 1912 no Rio de Janeiro, e morreu no dia 18 de maio de 2000.]
Ver mais aqui.

Milton Hatoum. Regresso a Manaus.














Novo livro de Milton Hatoum, Cinzas do Norte (edição Companhia das Letras). O regresso a Manaus entre 1950 e 1960.

[
Na Manaus dos anos 1950 e 1960, dois meninos travam uma amizade que atravessará toda a vida. De um lado, Olavo, de apelido Lavo, o narrador, menino órfão, criado por dois tios mal-e-mal remediados, que cresce à sombra da família Mattoso; de outro, Raimundo Mattoso, ou Mundo, filho de Alícia, mãe jovem e mercurial, e do aristocrático Trajano.
No centro das ambições de Trajano está a Vila Amazônia, palacete junto a Parintins, sede de uma plantação de juta e pesadelo máximo de Mundo. A fim de realizar suas inclinações artísticas, ou quem sabe para investigar suas angústias mais profundas, o jovem engalfinha-se numa luta contra o pai, a província, a moral dominante e, para culminar, os militares que tomam o poder em 1964 e dão início à vertiginosa destruição de Manaus. Nessa luta que se transforma em fuga rebelde, o rapaz amplia o universo romanesco, que alcança a Berlim e a Londres irrequietas da década de 1970, de onde manda sinais de vida para o amigo Lavo, agora advogado, mas ainda preso à cidade natal.]

Milton Hatoum é autor de Dois Irmãos e de Relatos de um Certo Oriente, ambos publicados pela Companhia das Letras, no Brasil, e pela Livros Cotovia em Portugal. Mais informações sobre Milton aqui.

Prémio Portugal Telecom

O Diário de Notícias de hoje publica uma lista de livros candidatos ao Prémio Portugal Telecom. Trata-se, na verdade, de um conjunto de livros que podem vir a figurar na shortlist final, habitualmente com dez títulos.

agosto 08, 2005

Lista para o Jabuti

1º - Vozes no Deserto
Nelida Pinon - Editora Record

2º - Lorde
João Gilberto Noll - W11 Editores

3º - O Opositor
Luis Fernando Veríssimo - Objetiva Ltda

4º - Maré Nostrum
Salim Miguel - Editora Record

5º - O Vestido
Carlos Herculano Lopes - Geração de Comunicação Integrada Comercial Ltda

6º - Guerra em Surdina
Boris Schnaiderman - Cosac e Naify Edições Ltda

7º - O País dos Ponteiros Desencontrados
Flávio Moreira da Costa - Agir Editora Ltda

8º - Santo Reis da Luz Divina
Marco Aurélio Cremasco - Editora Record

9º - Francisco Félix de Souza
Alberto da Costa Silva - Nova Fronteira

10º - O Fotógrafo
Cristóvão Tezza - Editora Rocco

agosto 05, 2005

agosto 01, 2005

Verissimo a pedido.

Leitores do Gávea querem um cheirinho do livro de Verissimo citado aí mais em baixo. O começo:

«Me chame de Ismael e eu não atenderei. Meu nome é Estevão. Como todos os homens, soi oitenta por cento água salgada, mas já desisti de puxar destas profundezas qualquer grande besta simbólica. Como a própria baleia, vivo de pequenos peixes de superfície, que pouco significam mas alimentam. Você talvez tenha visto alguns dos meus livros nas bancas. São aqueles livros mal impressos em papel de jornal, com capas coloridas em que uma mulher com grandes peitos de fora está sempre prestes a sofrer uma desgraça. Escrevo um livro por mês, com vários pseudônimos americanos, embora meu herói -- não sei se você notou -- sempre se chame Conrad. Conrad James. Herman Conrad. Um ex-marinheiro de poucas palavras. Um peixe pequeno, mas mais de uma cidade foi salva da catástrofe pela sua ação decisiva entre as páginas 90 e 95. Tenho uma fórmula: a grande trepada por volta da página 40, o encontro final com o vilão, e o desenlace a partir da página 90. Sobrevivo. Nunca mais vi o mar. Pensando bem, não saí mais de casa desde o meu acidente. Perdi o pé. Não quero falar disso. Tem uma mulher, Maria, claro, que vem cozinhar para mim e sempre chega com notícias da decomposição da sua família. "Minha mãe tá com a urina preta", justo quando eu estou tomando café. Tem uma moça que vem duas vezes por semana fazer a faxina mas sempre acaba na minha cama. Há dois anos que ela vem, Lília, Lília e ainda não espanou um livro. É assim que eu vivo. Exile and cunnilingus. Mas não era isso que eu queria contar.»

O Jardim do Diabo, recordo, foi o primeiro romance de L.F. Verissimo, publicado em 1988, e esta edição da Objetiva apresenta o texto revisto pelo próprio.

Rubem revisto. E acrescentado.












Crítica & recensão do Ubiratan Brasil (O Estado de S. Paulo) ao livro de Rubem Fonseca, aqui.

Mais um extracto do livro (publicado pelo Leões de Tolstoi):

«Quando cheguei na Vara Criminal, dona Neide estava sentada num banco na antesala do juiz.
Dona Neide, a senhora se lembra do que combinamos, não lembra? O seu Rosalvo cruzou a rua subitamente...
O nome dele era Raimundo, disse ela, me interrompendo.
O seu Raimundo, continuei, atravessou a rua fora da faixa e surpreendeu a senhora, que usou os freios mas mesmo assim não conseguiu evitar o atropelamento. É isso que a senhora vai dizer ao juiz, está bem? Pouco depois, fomos chamados à presença do juiz. (...) Muito bem, dona Neide, disse o juiz, quero ouvir um relato sucinto dos fatos. Como foi que ocorreu o atropelamento? A senhora já prestou um depoimento na polícia e eu gostaria que a senhora falasse novamente sobre essa ocorrência. (...) A coisa aconteceu assim, seu juiz. Eu estava distraída falando no meu celular, com umavizinha minha que fezoperação da vesícula, uma operação complicada porque ela teve uma crise, cólicas fortíssimas, e foi internada.
Dona Neide, atenha-se aos fatos, alertou o juiz, a senhora estava dirigindo distraída, falando no seu telefone celular e...? O seu Raimundo, coitadinho, apareceu na minha frente, e eu o atropelei, disse dona Neide (...) Abri a boca para falar, mas o juiz fez um gesto com a mão aberta, como dizendo que se eu falasse alguma coisa ele ia me expulsar da sala.
Dona Neide, disse o juiz, na polícia as suas declarações foram diferentes.
Eu fiz o que o doutor Mandrake mandou naquela ocasião, disse dona Neide, mas hoje ele disse para eu falar a verdade, foi um alívio para mim.»

julho 30, 2005

Joel Silveira, e «O Inverno da Guerra»













Joel Silveira – 86 anos e mais de 60 de profissão – é considerado o repórter que mudou o jornalismo brasileiro. Foi correspondente de guerra, colunista, editor. Tem vários livros publicados como: Viagem com o presidente eleito, A camisa do Senador, A Milésima Segunda Noite da Avenida Paulista, A Feijoada que Derrubou o Governo e o Diário do Último Dinossauro. O Gávea já o incluiu entre os seus autores.
A Objetiva acaba de lançar O Inverno da Guerra, reportagens de Joel Silveira durante a II Guerra, quando partiu para a Europa ao serviço da cadeia de jornais de Assis Chateaubriand, os Diários Associados, acompanhando o contingente brasileiro «até à rendição alemã».

Reedição de Verissimo














O primeiro romance de Verissimo, um thriller bem-humorado, O Jardim do Diabo (Editora Objetiva) acaba de ser publicado e inteiramente revisto pelo autor. Conta a história do assassinato de uma mulher que envolve Estevão, autor de romances policiais. A primeira frase é fabulosa. Mais ou menos isto: «Tratem-me por Ismael e eu não respondo; meu nome é Estevão.» A Objetiva também lançou uma versão das tiras de Aventuras da Família Brasil.

Novo Rubem Fonseca. Morram de inveja!



















O novo romance de Rubem Fonseca leva o título A Bíblia e a Bengala (Companhia das Letras) e vai entrar em distribuição em breve. Assunto do novo livro: o roubo de um dos raros exemplares da Bíblia de Mogúncia, de Gutenberg, e o desaparecimento de uma assassina bengala Swaine. Para amantes de Rubem, no entanto, há um pormenor essencial a ter em conta: o personagem principal é o investigador e advogado criminalista Mandrake, o mesmo de A Grande Arte, a obra-prima de Rubem, prémio Camões de 2003.

Extractos do livro:

«Você me disse que não se envolvia com mulheres casadas e você e ela estavam fodendo, o marido deve ter descoberto e você matou o infeliz, você é um assassino, um mentiroso, um canalha que se finge de bonzinho, pensa que eu não sei por que fodia comigo? Para fazer uma boa ação, para se redimir dos seus pecados, eu, o doutor Mandrake, sou bonzinho, estou fodendo a aleijadinha, eu vou para o céu. Você vai é para o inferno, seu filho-da-puta. Helena arrancou os sapatos e andou pela sala, mancando. Está vendo a aleijadinha que tem uma perna mais curta que a outra, que você, para conseguir foder, tomava Viagra escondido ou outra merda dessas, olha para mim, seu pulha, olha para a aleijadinha.»


«Meu pai passava o dia e a noite acordado, quando ia para a cama ficava lendo e eu lhe pedia que parasse de ler, apaga a luz de
cabeceira e vamos dormir, eu dizia, e ele respondia que não queria dormir e quando não estava lendo ficava de olhos abertos olhando para o teto ou para a janela. Fecha os olhos, eu pedia. Não fecho, não posso fechar os olhos, se fechar os olhos eu morro. A luz da cabeceira permanecia acesa, eu acordava no meio da noite, do meu sono agitado, e lá estava ele, de olhos abertos, olhando para o teto. Um dia notei que ele estava de olhos fechados e pensei, aliviado, afinal ele dormiu, e apaguei a luz da cabeceira. Quando acordei, pela manhã, ele estava morto.»


A Grande Arte, de Rubem Fonseca, foi publicado pela Companhia das Letras no Brasil; há uma edição portuguesa publicada em 1987 pelas Edições 70.

Porto Alegre, São Paulo, Recife

Um dos habituais comentadores do Gávea escreveu a propósito dos posts sobre tertúlias em Poerto Alegre e São Paulo, chamando a atenção para o Recife:
«Como disse, Porto Alegre é de facto a metrópole mais européia do Brasil. Convivem descendentes de alemães, de italianos e, sobretudo, de açorianos. Há, também, um imenso bairro da diáspora ashkenazi. Recife, quase 4.000 km na direção nordeste, é também um encontro de gentes de diferentes origens: portuguesa, africana e autóctone. Em Porto Alegre há uma saudável competição entre as culturas que integram a cidade. Já Recife, no que toca à civilização, é quase exclusivamente portuguesa. O rosto de Porto Alegre é europeu e o de Recife mestiço, moreno. Em ambas as metrópoles, ainda que por diferentes razões, os portugueses encontrarão muitas afinidades. Já São Paulo seria a única capital de vocação autenticamente "americana", a representar mais um aspecto dos diferentes Brasis...»
Ficamos à espera de indicações sobre tertúlias pernambucanas.

Curso Breve de Literatura Brasileira




















Para mostrar apenas a capa do primeiro volume da colecção, Curso Breve de Literatura Brasileira, da Cotovia, o Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado. Abel é, de facto, o grande divulgador da literatura brasileira em Portugal, um dos autores do melhor blog português do momento, o Casmurro, onde colaboram também Osvaldo Silvestre, Manuel Portela, Pedro Serra ou Gustavo Rubim.

Abel Barros Baptista é autor de, entre outros, O Professor e o Cemitério. Rusga pelo «José Matias» de Eça de Queiroz Entendido como Percurso de Assassinatos Regulares, 1986; Auto Bibliografias. Solicitação do Livro na Ficção e na Ficção de Machado de Assis, 1998; A Infelicidade pela Bibliografia, 2001. Director-adjunto da revista Colóquio/Letras, Abel escreve em jornais e revistas de Portugal e do Brasil e é co-autor, com Luísa Costa Gomes, do romance O Defunto Elegante (Lisboa, 1996) e, com Gustavo Rubim, de Importa-se de me emprestar o Barroco?. O seu mais recente livro de ensaios é Coligação de Avulsos. Ensaios de Crítica Literária (na Cotovia).

Abel










No suplemento Mil Folhas do Público deste fim-de-semana, não perder a entrevista com Abel Barros Baptista, o criador da colecção de literatura brasileira lançada pela editora Cotovia. Infelizmente, como se sabe, só disponível online para assinantes do jornal.

Foreign sound













O Festival de Cinema de Gramado foi pouco mais do que chato. Mas havia frio suficiente, chuva e neve como promessa. Novidade excelente: vinho tinto muito bom, o da Cantina, um cabernet sauvignon de que foram arrebatadas as melhores garrafas para um grupo que ocupou a esplanada aí acima. A Rua Coberta, mesmo em frente, foi palco para tardes de conversa. E parece que havia filmes, sim.

julho 29, 2005

Barão de Itararé.

«O fígado faz muito mal à bebida.»

Frase deliciosa, não?

Ver mais aqui sobre o gaúcho Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, o Barão de Itararé.

Delírio do blogger, na verdade

















Publicado na última edição da LER, em Portugal, o conto «O Manuscrito de Buenos Aires». Link aqui. Um falso Quijote.

Cruz Alta, Verissimo

Para quem vem do mar, Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, inaugura o chamado território das missões. Erico Verissimo nasceu aí em 1905 e atravessou quase todo o nosso século XX. Estive duas vezes em Cruz Alta quando descia em busca da paisagem das missões – campos cruzados de rios, lagoas, neblinas, na direcção da Argentina e, mais ao norte, do Paraguai. É naquela parte do Brasil que se descobre com mais clareza que Camilo, bem como o nosso século XIX, tinham razão. Não se tratava de Brasil mas de Brasis.
Texto da crónica completa aqui.

A não perder, em viagem, 2

E em São Paulo, recomendam-se as sessões do Bar Zé Batidão, no Jardim Guarujá (Rua Bartolomeu dos Santos, 797; telef. 11-5891-7403), às quartas-feiras, organizadas pela Cooperifa (Cooperativa da Periferia). Os seus debates e leituras já estão reunidos em livro publicado pelo Itaú Cultural.